As coisas importantes começam nos lugares mais inesperados. Noite fria de inverno, as estrelas já despontando no céu escuro às 4 da tarde, uma lua cheia no alto acima do telhado da Catedral de St. Paul, a cidade estava às vésperas de um novo lockdown. Aquela caminhada, que já tinha me levado de monumento em monumento por horas a fio, estava para se encerrar. Enquanto consultava a rota na entrada da estação de metrô mais próxima, percebi um sinal que chegava, vindo do outro lado do oceano, a reposta despretensiosa a uma provocação que eu mesmo tinha feito há pouco.

Quando relembro desse instante me vem a mente um comercial antigo, onde duas pessoas distraídas pelo celular se encontram na esquina e cruzam olhares. O filme acelera para mostrar tudo o que se tornaram a partir daquele instante, vida, filhos, alegrias e tristezas, e no final corta para repetir a mesma cena inicial, só que dessa vez sem que se percebam. Pergunto-me em quantas esquinas chegamos adiantados ou atrasadas, em relação a umas poucas outras onde nos encontramos na hora certa e no lugar certo – ou, talvez, pelo menos, na hora certa.

Falta-me ainda um tanto de ousadia para acreditar que os astros no céu tenham a capacidade de influenciar humanos aqui na terra, mas aquela véspera da rara conjunção de Saturno e Júpiter chegou revestida de um aura de magia, assim como as lições que me resultariam daquele dia. Tudo aconteceu numa janela de tempo que eu mais tarde saberia ter sido estreita.

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