História Sem Fim

Os 3 atos se passam rapidamente e a fantasia chega ao fim para dar lugar a uma nova história. Para narrá-la precisamente, daqui em diante, preciso iniciar descrevendo como eu verdadeiramente vejo você, Turandot.

Errante, um dia me encontrei às portas de seu palácio. Para minha fortuna, os seus guardas me permitiram entrar no jardim. E vi, deslumbrado, seu perfil em uma janela distante. Trocamos acenos, mal sabendo eu o quanto a sua presença naquela ala seria rara. Foi assim que despertamos a curiosidade um do outro. Nos dias que se seguiram voltei ao pátio várias vezes e decifrei, sem notar, seus enigmas.

O palácio em si é deslumbrante, Turandot, suas festas são esplêndidas. Mas ele, com toda sua magnífica história e delicada arquitetura, seus exércitos pujantes e requintados jardins, se esvazia e empalidece sem sua personalidade, seu ser. É por esse ser que retorno ali, é pelo seu ser que me instalo, com sua permissão, em seus aposentos.

É em seus aposentos que revelo meu nome sem receio de ser arrastado a um cadafalso, por que é no seu ser que me espelho, não em suas riquezas. Não há outro palácio, nem outras sombras frescas que sejam capazes de me instigar a seguir no roteiro de uma história sem fim.